Debate na Conferência Global Destaca o Papel Crucial de 22 Milhões de MPEs Brasileiras na Agenda Climática e Lança Ferramentas ESG
Belém sediou, durante a COP30, um debate fundamental sobre o Crescimento Sustentável para Pequenos Negócios, onde foi enfaticamente ressaltado o papel crucial das micro e pequenas empresas (MPEs) brasileiras na agenda climática global. O evento, que contou com a participação de especialistas do Sebrae, BIUD Tech, ABNT e Instituto Alziras, apresentou soluções inovadoras como o Selo ESG Sebrae e a Plataforma Crescimento Sustentável, visando capacitar os 22 milhões de pequenos negócios do país na transição para uma economia verde. A iniciativa busca não apenas promover a sustentabilidade, mas também impulsionar a competitividade e a mensuração de avanços ESG (Ambiental, Social e Governança) no setor.
Contexto
A Conferência das Partes (COP30), sediada em Belém, Pará, transformou-se em um palco global para discussões cruciais sobre o futuro do clima e as estratégias de desenvolvimento sustentável. Dentro deste cenário de intensa negociação e troca de conhecimentos, o debate intitulado Crescimento Sustentável para Pequenos Negócios emergiu como um dos pontos altos, trazendo à tona a necessidade premente de engajar as micro e pequenas empresas (MPEs) na pauta da sustentabilidade e da agenda climática. Essas empresas representam uma parcela significativa da economia brasileira, totalizando cerca de 22 milhões de estabelecimentos em todo o território nacional.
Historicamente, a agenda climática e as práticas ESG (Ambiental, Social e Governança) têm sido majoritariamente associadas a grandes corporações, devido à sua capacidade de investimento e ao escopo de impacto global. No entanto, o evento na COP30 sublinhou que a capilaridade, a resiliência e a inovação das MPEs são ativos indispensáveis para qualquer transição econômica que busque ser verdadeiramente abrangente, equitativa e eficaz, especialmente no contexto de um país com a dimensão continental e a vasta biodiversidade como o Brasil.
A iniciativa de promover este debate e de focar na capacitação das MPEs para a sustentabilidade partiu de um reconhecimento mútuo entre diversas entidades-chave. A parceria estratégica entre o Sebrae, organização de apoio aos pequenos negócios reconhecida nacionalmente, e a BIUD Tech, empresa focada no desenvolvimento de soluções tecnológicas inovadoras para a sustentabilidade, foi central para a concepção das ferramentas apresentadas. Eles trouxeram para a discussão o aval técnico da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) e a perspectiva social crucial do Instituto Alziras, com o apoio da ONU Mulheres, ampliando significativamente a visão sobre a responsabilidade social corporativa.
A Voz dos Especialistas e Lideranças
Durante o painel, diversos especialistas e lideranças compartilharam suas perspectivas sobre o papel fundamental das MPEs. A analista de sustentabilidade do Sebrae, Ana Aciole, enfatizou a visão pragmática de que a sustentabilidade não deve ser encarada apenas como uma obrigação ambiental, mas sim como uma oportunidade estratégica de negócio. “O ESG precisa fazer sentido no dia a dia do pequeno negócio, gerando valor agregado, impulsionando a competitividade e abrindo novas frentes de mercado,” afirmou Aciole, destacando a necessidade de ferramentas acessíveis e aplicáveis à realidade dessas empresas.
Mário William Esper, presidente da ABNT, reforçou a importância da padronização e da certificação como mecanismos essenciais para validar e fortalecer as práticas de sustentabilidade. A parceria ativa da ABNT no desenvolvimento do Selo ESG Sebrae é um testemunho desse compromisso institucional, oferecendo um critério de avaliação técnico e confiável para as MPEs que buscam comprovar seu engajamento com os princípios ESG.
A participação de Marina Barros, diretora de projetos do Instituto Alziras, e da renomada empresária e ativista Luiza Brunet, trouxe a dimensão social e de governança para o centro do debate. Elas abordaram com profundidade como as práticas ESG podem ser poderosos motores para impulsionar a equidade de gênero, a diversidade e a responsabilidade social dentro das empresas, especialmente as MPEs. “Investir em diversidade e inclusão é investir no futuro do negócio e da sociedade como um todo,” pontuou Barros, ecoando a importância da agenda da ONU Mulheres para um desenvolvimento verdadeiramente sustentável.
A ativista Aparecida Bessa também contribuiu para a discussão, trazendo a perspectiva das comunidades e da base da pirâmide, reforçando que a transição para uma economia verde deve ser inclusiva e justa, considerando todos os atores sociais envolvidos. A diversidade de vozes no debate sublinhou a complexidade e a multifacetada natureza dos desafios e oportunidades que o tema ESG apresenta para os pequenos negócios.
Impactos da Decisão
A integração efetiva das MPEs na agenda de sustentabilidade e ESG representa um impacto transformador e de longo alcance para a economia brasileira. Com a vasta quantidade de pequenos negócios disseminados por todo o país, cada passo em direção a práticas mais verdes, socialmente responsáveis e com governança transparente amplifica o efeito positivo em escala nacional, desde a cadeia de suprimentos mais básica até o consumo final. Isso não apenas eleva o padrão de mercado e estimula a inovação, mas também posiciona o Brasil de forma mais robusta e competitiva no cenário internacional de economia verde e de desenvolvimento sustentável.
O lançamento do Selo ESG Sebrae, desenvolvido em parceria com a ABNT e com o suporte tecnológico da BIUD Tech, é um marco crucial para essa transição. Essa ferramenta inovadora permitirá que as MPEs avaliem, implementem e comprovem seus avanços em ESG de forma simplificada, acessível e, acima de tudo, credível. A certificação pode abrir portas estratégicas para novos mercados, atrair investimentos conscientes, melhorar o acesso a linhas de crédito com taxas mais favoráveis e fortalecer a reputação e a imagem das empresas, diferenciando-as em um mercado consumidor cada vez mais exigente por responsabilidade socioambiental.
Paralelamente, a Plataforma Crescimento Sustentável da BIUD Tech complementa essa iniciativa de forma estratégica, oferecendo um ambiente digital completo e intuitivo para que as MPEs possam planejar, executar, monitorar e mensurar suas ações ESG de maneira contínua. Segundo dados apresentados no debate da COP30, essa plataforma é vital para democratizar o acesso ao conhecimento, às metodologias e às ferramentas necessárias para a transição para a sustentabilidade, tornando a agenda ESG uma meta alcançável para empresas de todos os portes e setores, especialmente aquelas com recursos limitados para consultorias especializadas.
O Potencial Transformador da Mensuração ESG
A capacidade de mensurar e comunicar os avanços em ESG é um dos maiores benefícios e diferenciais que essas novas ferramentas proporcionam. A transparência e a prestação de contas são pilares fundamentais da sustentabilidade corporativa, e o Selo ESG Sebrae, em conjunto com a plataforma da BIUD Tech, fornecerá um arcabouço robusto para que as empresas não apenas adotem as práticas, mas também demonstrem seus resultados de forma tangível e verificável. Isso é essencial para combater o greenwashing (prática de marketing enganoso sobre sustentabilidade) e para construir uma cultura empresarial baseada na verdadeira responsabilidade socioambiental e na ética de governança.
Próximos Passos
Os próximos passos após o inspirador debate na COP30 incluem a ampla divulgação e a implementação escalonada do Selo ESG Sebrae e da Plataforma Crescimento Sustentável em todo o território nacional. O Sebrae, com sua vasta e consolidada rede de atendimento e apoio aos empreendedores, deverá intensificar as ações de capacitação, consultoria e orientação para que os 22 milhões de MPEs possam aderir a essas iniciativas, integrando a sustentabilidade e os princípios ESG em seus modelos de negócio de forma eficaz e estratégica, como um pilar fundamental de seu planejamento e crescimento.
Espera-se que o crescente engajamento das MPEs com as diretrizes ESG gere um efeito multiplicador e dominó em toda a economia brasileira, estimulando toda a cadeia produtiva, desde fornecedores até distribuidores, a adotar padrões mais elevados de responsabilidade. A demanda por produtos e serviços sustentáveis está em constante crescimento, e as empresas que anteciparem essa transição e se adaptarem estarão mais bem posicionadas para prosperar em um mercado global cada vez mais consciente e exigente. A BIUD Tech, por sua vez, continuará a aprimorar sua plataforma, incorporando feedback dos usuários e novas tecnologias para garantir sua relevância e eficácia contínuas.
A participação ativa em eventos futuros, tanto no cenário nacional quanto internacional, será fundamental para manter o ímpeto e continuar a destacar o papel vital das MPEs na agenda global de sustentabilidade. A colaboração sinérgica entre governo, setor privado e sociedade civil, como evidenciado e celebrado na COP30, será a chave para garantir que as políticas públicas, os programas de incentivo e os arcabouços regulatórios estejam alinhados com os objetivos de crescimento sustentável, criando um ambiente propício para que os pequenos negócios floresçam de forma responsável, inovadora e lucrativa. Embora não haja um cronograma detalhado publicamente para a implementação em larga escala, o compromisso das entidades envolvidas é claro e contínuo.
Fonte:
Exame – COP30: Pequenos negócios aderem à transição para economia mais sustentável. Exame

